15 de abril | Canal Energia

O curtailment tem impactado significativamente a viabilidade de projetos renováveis. Um dos caminhos para mitigar esses efeitos é o uso de baterias. A avaliação é do ice-presidente comercial e de novos negócios da Elera Renováveis, Ricardo Motoyama. O executivo deu a dimensão do problema no parque solar Janaúba com 1,6 GWp e que pertence à empresa em Minas Gerais. O ativo sofreu uma redução de 25% na geração no último ano.

“Não há plano de negócio que sustente uma perda de 25% de receita, especialmente em projetos com vida útil de 30 a 40 anos”, afirmou. Segundo ele, sem soluções para esse problema, será impossível desenvolver novos projetos para atender à crescente demanda por energia limpa.

Motoyama afirmou que as baterias oferecem uma solução rápida e tecnologicamente comprovada para lidar com o excesso de geração durante o dia e a alta demanda no período noturno. Por esse motivo ele defendeu a realização do LRCAP específico para a tecnologia. “O leilão de baterias é uma iniciativa importante, e a Brookfield e a Elera estão olhando com muito interesse para esse mercado. No mundo, já investimos nessa tecnologia, e entendemos que ela pode ser uma solução eficaz para o problema físico do curtailment”, explicou ele durante a 4ª edição do Fórum Econômico Brasil-Canadá, em São Paulo.

Hidrelétricas reversíveis e armazenamento de longa duração

Além das baterias, Motoyama mencionou as usinas hidrelétricas reversíveis como uma solução de longo prazo para o armazenamento de energia. Nesse sentido, as usinas funcionam como “baterias naturais”. Ou seja, usam o reservatório de forma estratégica ao bombear água para um nível mais elevado durante períodos de baixa demanda e gerando energia quando necessário.

Embora reconheça o potencial dessa tecnologia, ele destacou que sua implementação exige mais tempo e planejamento. “No curto prazo, as baterias químicas são uma solução mais viável e ágil para enfrentar os desafios dos cortes”, afirmou.

Segurança jurídica

Por fim, Motoyama também ressaltou que, para viabilizar investimentos em soluções como baterias e hidrelétricas reversíveis, é fundamental garantir segurança jurídica e regulatória. “Sem estabilidade institucional, não conseguimos atrair investidores de longo prazo, sejam eles acionistas ou credores. Precisamos de políticas públicas que ofereçam previsibilidade e incentivem o desenvolvimento de infraestrutura para suportar a expansão da matriz renovável”, concluiu.

Fonte: Canal Energia

https://www.canalenergia.com.br/noticias/53344653/elera-renovaveis-defende-investimentos-em-baterias-para-superar-curtailment