Por Guilherme Mendonça, diretor de Operações da Elera Renováveis

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul nos anos de 2023 e 2024 deixaram marcas profundas em cidades, comunidades e na infraestrutura do Estado. Para quem opera serviços essenciais, deixaram também aprendizados. Vivemos essa realidade de perto. A Elera Renováveis opera sete pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e o Complexo Eólico Pontal no Estado.

As chuvas intensas e o aumento das vazões dos rios impactaram diferentes ativos da companhia. Houve inundação de casas de força, danos em uma subestação e em uma linha de transmissão, além de deslizamentos, interrupção de acessos e avarias em estruturas elétricas.

Mesmo diante desses eventos, as barragens das usinas permaneceram seguras e operaram dentro dos parâmetros previstos de monitoramento e controle.  A prioridade durante os dois episódios severos foi garantir a segurança das pessoas, e atravessamos esse período sem incidentes envolvendo colaboradores ou terceiros.

Passada a fase mais crítica, veio outro desafio: transformar a experiência em aprendizado. A reconstrução, por si só, não basta. Ela também precisa ser uma oportunidade para corrigir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta diante de novos eventos extremos.

Essa experiência reforçou uma convicção: resiliência não significa construir uma infraestrutura imune a qualquer evento climático

Foi com esse olhar que revisamos procedimentos e práticas adotados em nossas operações no Estado. Cada ocorrência serviu para identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria. Essa experiência reforçou uma convicção: resiliência não significa construir uma infraestrutura imune a qualquer evento climático.

Também aprendemos que ninguém enfrenta sozinho uma crise dessa magnitude. A resposta a eventos extremos exige atuação conjunta de empresas, poder público, agências reguladoras, Defesa Civil, Bombeiros, fornecedores e comunidades. Essa articulação foi essencial para enfrentarmos os desafios dos últimos anos.

Não é possível prever quando ocorrerá o próximo evento extremo, mas é possível fortalecer, dia após dia, a nossa capacidade de enfrentá-lo e reduzir a vulnerabilidade de amanhã. Esse talvez seja o principal legado que episódios como os vividos pelo Estado nos deixam.

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